Depósito de coisas que eu penso.
Meu pequeno contato com a igreja protestante na adolescência (farei um post futuramente falando sobre isso) me proporcionou o prazer de conhecer diversos artistas da música gospel nacional e internacional. Posso afirmar com segurança que grande parte dos músicos e cantores brilhantes que vemos e ouvimos por aí vieram desse berço. Há, ou havia, dentro da musica gospel, uma preocupação muito grande com a qualidade e nível de técnica para compor músicas ou executá-las. Isso, pelo que tenho visto, em parte se perdeu.
Uma prova disso é que uma quantidade muito grande de cantores e bandas da musica gospel têm feito regravações ou até mesmo plágios de músicas internacionais sem ao menos darem satisfações para seus ouvintes. Não que estas coisas sejam algo terrível, mas banalizar tal atitude com certeza não é legal. Eu, particularmente, só posso entender isso de uma forma: falta de criatividade.
E falando em regravações, há algo de muito perigoso que mora nessa questão: e se a regravação não estiver à altura da original?
Outro dia estava ouvindo a música Mighty to Save do grupo Hillsong. É uma música que considero ser perfeita tanto pelo arranjo – linhas de guitarras suaves, groove de bateria diferenciado, vocais bem colocados – quanto pela ascensão que a mesma ganha em seus seis minutos. A cantora gospel brasileira Aline Barros regravou esta canção e conseguiu deixá-la sem alma, vazia e com uma interpretação muito abaixo do nível que esta música merece para ser cantada. Sem falar do fala-fala desnecessário, que chamam de “ministraçao”, no meio da música que termina por dar o golpe de misericórdia em qualquer canção. Claro que não estou criticando a maneira que alguém usa para expressar o seu amor a Deus, mas sim a falta de preocupação com a execução de uma música que, como dizem os protestantes, deve chegar como “aroma suave” ao trono de Deus.
Grande parte da música gospel hoje é um espelho de bandas e cantores nacionais e internacionais. Você pode encontrar em versão gospel bandas e cantores como: U2, Dream Theater, Jeff Buckley, Wanessa Camargo e muitos outros. Isso é ruim? Não. Mas confesso que sinto falta de uma identidade na música gospel, a mesma que via quando eu era adolescente.
Michel Ribeiro. Pseudo escritor, pseudo baixista e pseudo blogueiro. Moro em Belém/PA, tenho 30 anos e adoro computadores desde 95. Mais...