Depósito de coisas que eu penso.
São 22 horas do dia 24 de dezembro de 1986, estou em casa morrendo de sono mas mesmo assim reviro, de pijama, cada compartimento da casa procurando uma pequena pista de que este velhinho de barba branca e roupa vermelha exista. Olho nas janelas, em baixo da cama, dentro do guarda-roupas, procuro no céu mas não consigo nada, nada que me leve a acreditar que este homem exista.
O sono me consome e minha mãe me ordena pela quarta vez para ir dormir. Vou com medo do seu cinto. Meu irmão já babava na cama. Tentei dormir e não consegui. Não conseguia entender como este velhinho viajava de trenó puxado por malditas renas, numa noite, o mundo todo distribuindo presentes para as crianças boazinhas da minha idade. Algo estava errado.
Então, novamente desci, e ao descer cuidadosamente pelas escadas vi meu pai entrar pela porta dos fundos na ponta dos pés com duas bicicletas. Me escondi e fiquei vendo a ação dele, que guardava aquelas bicicletas cuidadosamente num cômodo da casa.
Na manhã seguinte meu irmão ficou muito contente e eu também. Não só pelo belo presente, mas também pela certeza em saber que o Papai Noel sempre existiu.
Natal inesquecível esse de 86, quando descobri que o Papai Noel sempre foi o meu pai.
Feliz Natal pra você que lê este blog.
Michel Ribeiro. Pseudo escritor, pseudo baixista e pseudo blogueiro. Moro em Belém/PA, tenho 30 anos e adoro computadores desde 95. Mais...