Bad romance

26 jul 2010

Quando eu estava na sexta série, se não me falha a memória, caí de amores por uma aluna que estudava no mesmo colégio, mas num turno diferente do meu. Eu estudava no turno da tarde e ela pela manhã. Conheci essa garota pelo fato de ela fazer aulas de educação física no turno em que eu estudava. E eu sempre ficava a observando como seu expectador apaixonado.

Coincidia também o fato de eu fazer aulas de educação física pela manhã, exatamente no horário de intervalo das aulas. E adivinhe só, ela também ficava me olhando. Provavelmente já nos imaginando caminhando juntos ao pôr-do-sol, escrevendo nossos nomes em alguma mangueira da cidade.

Certa vez, por uma questão de saúde, me afastei por uma semana da escola. Retornei as aulas começando pela aula de educação física e estava morrendo de saudades daquela menina. Logo que cheguei à quadra (iríamos jogar futebol de salão nesse dia) um amigo me sussurrou: “Não olha! Ela está lá atrás, parada, te olhando”. Logicamente naquele jogo eu iria dar tudo de mim para não fazer feio diante de minha amada.

Com a bola rolando já durante alguns minutos, num momento sublime um amigo me fez um passe açucarado que me deixou numa ótima posição para fazer um lindo gol. Eu e o goleiro. O goleiro e eu. No momento do passe foi como se todo o áudio desaparecesse ficando apenas o som do vento, da minha respiração e das batidas aceleradas do meu coração. Nesses poucos segundos, eu comecei a pensar um monte de coisa como: “nossa, ela vai me ver fazendo um golaço e vou ficar bem na foto”; “hoje a noite mesmo ela vai fazer Pole Dance pra mim”. E a bola ia se aproximando para o meu chute mortal. O goleiro fitou os olhos em mim e eu fazendo uma espécie de Genki Dama para efetuar aquele chute.

E então: eu NÃO fiz o gol!

E pior do que não ter feito o gol, foi o fato de a bola ter acertado em cheio adivinha quem? Pois é, meus queridos. O chute mais forte da minha vida, diante de uma plateia enorme, foi parar como um foguete direto na cara da minha amada; e ela, logicamente, desmaiou com a boca ensanguentada e o olho já ficando roxo. O pânico tomou conta de toda a escola. Foi um dos piores dias da minha vida.

Só pra você ter ideia a primeira coisa que ela falou quando estava acordando do desmaio na enfermaria, segundo fontes confiáveis, foi: “Aquele desgraçado… Aquele filho da puta…”

Acreditem, até hoje ela me odeia.

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    Michel Ribeiro. Pseudo escritor, pseudo baixista e pseudo blogueiro. Moro em Belém/PA, tenho 30 anos e adoro computadores desde 95. Mais...

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