Depósito de coisas que eu penso.
Quando vi a Lady Gaga cantando pela primeira vez fui categórico: “Pelo amor de Deus, quem é esta louca?!” Mudei de canal; e o tempo passou.
Meses depois vejo a mesma “louca” despontando no cenário musical mundial e resolvi conhecer um pouco do trabalho não da pop star Lady Gaga mas sim de Stefani Joanne Angelina Germanotta e acabei me tornando admirador da mesma e explico o porque.
Stefani estudou história da arte, musica clássica e escreve muitíssimo bem. Tanto que compunha para diversos artistas – inclusive para o cantor de hip-hop Akon, Pussycat Dolls, Fergie, Britney Spears etc - e é possuidora de uma voz com um timbre forte e invejável. Era apenas questão de tempo para que todo esse potencial viesse à tona. E eu comecei a curtir o trabalho dela não somente pelas letras, apresentações e coreografias interessantes que ela faz, mas sim pelo que há por trás disso tudo: um trabalho totalmente autoral. Isso me fez identificar-me com seu trabalho e sua proposta.
O caro amigo blogueiro Teilor escreveu algo interessantíssimo num post também falando sobre a cantora, seu trabalho e sobre uma parcela de críticos que nunca estão satisfeitos com nada:
Eu sei que nem tudo que o ‘povo’ produz é culturalmente aproveitável, mas é necessário termos sempre o entendimento de que a cultura não está presa nas galerias, nos museus ou nos teatros; a cultura está na rua, está na boca do povo, está naquela roda de pagode e no baile funk; a cultura é livre das amarras do intelectualismo e do academicismo burguês que permeia aquela parcela da sociedade brasileira que se julga mais esclarecida porque frequenta uma faculdade, livrarias ou os barzinhos da moda.
Cada um se identifica com a proposta de seu artista. Tentar intelectualizar a arte é totalmente irrelevante.
Antes de mudar de canal é bom saber o que há no backstage pessoal de cada artista.
Os idiotas ganharam novos meios para conseguir atenção com a revolução digital. Um exemplo disso é o próprio aparelho celular que vem sofrendo há alguns anos brilhantes (ou não) mutações.
Ha uns dias estava eu indo resolver um problema corriqueiro no banco e tive que aguardar a minha vez. Foram os piores 45 minutos da minha vida. Primeiro porque a agencia estava um forno e a fila muito grande; segundo, meu dente doía por conta de uma obturação moribunda. Então, em meio a esse clima de agencia bancária de segunda-feira, começou a sinfonia dos aparelhos celulares tunados: um tiozinho sacou seu celular com TV (uau!) e começou a sintonizar, ali, no meio de todo mundo. O pior ainda foi que ele resolveu assistir a Rede TV. Provavelmente ele se tocou que estava incomodando pelo olhar feroz de uma madame que estava ao seu lado e desligou o aparelho.
Passados uns instantes, um rapaz se sentiu ofendido, creio eu, com a afronta do tiozinho e então sacou seu celular titã com capacidade para 3 chips, TV, rádio e um som muito alto (uau!) e começou a ouvir um tecno-brega até interessante, mas totalmente inconveniente para aquele momento. E ficou nessa. A batida da música sincronizou com a dor do meu dente e eu quis morrer. O tiozinho havia desligado o seu, mas como ouviu o jovem rapaz curtindo um som relax, se sentiu no direito de voltar a ligar o seu também. Então, o duelo de celulares, estilo western, começou.
De um lado, o celular do tiozinho sintonizado na Rede TV. Do outro, o tecno-brega no aparelho do rapaz carente de atenção.
Que bom que um funcionário da agencia resolveu intervir neste pequeno episódio, pois era chegada a hora do linchamento daqueles dois.
Começar um texto com este título faz-me parecer um extraterrestre, eu sei, mas bem que em determinados momentos eu gostaria de ser um. Sei lá! Dar uma olhada aqui de vez em quando, abduzir algumas mocinhas gostosinhas (se a patroa ler, eu to frito!), chupar umas cabras, implantar chips em fazendeiros solitários etc. Mas morar aqui? Só moro mesmo por não conhecer a existência de outro planeta habitável em uma galáxia qualquer.
Este planeta está louco! A condição humana beira um colapso em todos os sentidos. Se por um lado a natureza “se mostra feroz” com todas as desgraças que vêm acontecendo ao meio ambiente; por outro, tais acontecimentos geram uma nova desgraça: nos ajudam a ficar mais frios diante do horror. Tudo o que vemos na TV ou nos jornais vão nos preparando para sermos cada vez mais parecidos com zumbis – alheios de qualquer sentimento. Onde isso irá nos levar?
Vez ou outra tento imaginar como estaria a humanidade daqui ha uns mil anos e a imagem que me vem à cabeça é a de um mundo descrito num primeiro momento em Gênesis “sem forma e vazio”. Toda civilização, no ápice de sua arrogância, se auto-destrói. Certamente, esse será o nosso trágico fim: nos enforcaremos na corda da frieza e da intolerância humana.
Desde o post anterior ando nostálgico. Mergulhei num túnel do tempo musical ouvindo muita coisa antiga, da época dos meus avós. Meu irmão me mandou um vídeo muito legal de uma banda instrumental britânica que começou a fazer sucesso antes mesmo dos Beatles, chamada The Shadows.
A música Moonlight Shadow, de Mike Oldfield, tocada com um feeling ímpar pela banda The Shadows me fez refletir na “qualidade” musical dos dias de hoje. Um dos grandes mistérios da vida, pelo menos para mim, é saber porque 90% dos guitarristas insistem em querer transformar suas guitarras em metralhadoras de notas, enquanto que linhas simples e melódicas nos arrebatam para uma outra dimensão. Tenho a impressão que esqueceu-se a essência, o espírito da música; e tudo transformou-se em uma busca desesperada por uma técnica ilusória e inalcançável.
Sorte nossa podermos voltar para um tempo que não existe mais.
Quando eu era pequenino ouvia meu pai ouvir um cantor francês que fez muito sucesso na década de 60 chamado Christophe. Meu pai ouvia muito uma música chamada “Les Marionettes” que tinha um arranjo que, mesmo com minha pouca idade (uns 5 ou 6 anos), achava fantástico. Achava uma loucura aquelas viradas loucas de bateria e aquele jogo de voz e cordas da música.
Fiquei tão fascinado com aquela música que a gravei do LP para uma fita K7 para poder ouvir num walkman sempre que podia. Sempre ouvindo as peripécias do baterista que até hoje não faço a mínima idéia de quem possa ter sido. Isso culminou num desejo muito grande de, aos 12 anos de idade, começar a aprender tocar bateria.
Hoje sei que foi apenas fogo de palha. Me tornei um reles baixista sem baixo.
Michel Ribeiro. Pseudo escritor, pseudo baixista e pseudo blogueiro. Moro em Belém/PA, tenho 30 anos e adoro computadores desde 95. Mais...
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