Comunicação

Mediação na era digital

O jornalismo nasceu das revoluções liberais com o papel de informar, de maneira concisa, os cidadãos para que estes pudessem intervir diretamente no processo democrático

Não é exagero afirmar que o nível de credibilidade depositado em informações difundidas em sites de redes sociais na internet vem crescendo de modo exponencial. Nesse mar de publicações a esmo é preciso salientar a importância da mediação jornalística nas plataformas digitais que, de fato, ajudaram a democratizar o envio e o recebimento de informações em todo o mundo.

A lógica do viver em rede na era digital trouxe consigo a ideologia do ‘compartilhar’. Viver, por si só, não é mais viver. É preciso que o outro saiba o que se está fazendo, comendo ou sentindo, logo toda experiência é passível de registro. Ao longo de alguns pares de anos é nítida a perda da individualidade, que no passado foi responsável pelo surgimento das religiões e da filosofia. É de se admirar como a cultura de celebridade de massas se dissipou diante de redes sociais como Facebook, LinkedIn e Twitter, nas quais a busca pela fama e admiração é uma constante.

O jornalismo nasceu das revoluções liberais com o papel de informar, de maneira concisa, os cidadãos para que estes pudessem intervir diretamente no processo democrático. No século XXI, com o advento das redes sociais na internet, cada pessoa ganhou o poder de se tornar um gerador de conteúdo. Isso, claro, tem suas beneficies, mas gerou uma avalanche de informações de procedência duvidosa, fotos caricatas e hiperexposição na rede. Nesse cenário, surgiram inúmeros debates relacionados à importância da mediação jornalística.

Comunicar e produzir jornalismo são situações diferentes. Em grande parte dos casos, os usuários de redes sociais não são capacitados para realizar o trabalho de mediação da informação. Nesses ambientes é comum a publicação de informações sem qualquer filtro, textos apócrifos e dissertações sobre retalhos de obras literárias, por exemplo. Os editores de sites como Facebook e Twitter são complexos algoritmos que sabem exatamente de todas as preferências de seus usuários. Logo, o usuário dessas redes, imerso em conteúdos e pessoas que partilham a mesma linha ideológica, age de forma intolerante com quem pensa de maneira diferente. Esse comportamento gera a polarização da rede.

Uma das primícias do jornalismo moderno comprometido com a ética é a simples checagem da informação antes de transforma-la em produto noticioso. Diversos profissionais ou mesmo empresas jornalísticas que criaram extensões de seu trabalho na internet fazem deste pequeno detalhe uma máxima que faz a diferença na hora de distribuir informações na internet. De qualquer modo, nunca lemos e escrevemos tanto na história humana como agora. As redes sociais não são uma etapa evolutiva definitiva na rede. Ainda haverá grandes modificações. A forma pela qual se acessa a informação é sempre transformada em diferentes níveis. Há tempos, o surgimento do jornalismo moderno foi ditado por uma então nova tecnologia: o telégrafo. É provável que a internet, juntamente com as redes sociais, blogs etc., signifique a aurora de um novo patamar jornalístico na história da comunicação humana. Hoje, mais do que nunca, a mediação jornalística é indispensável, principalmente nas redes sociais online.

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